10 de novembro de 2012

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Voar fica mais caro na capital mineiraPreços de passagens aumentam em mais de 15%


 (EM/D.A/Press)
O preço da passagem aérea doméstica em Belo Horizonte está na contramão do resto do país. No Brasil houve recuo de 36% no valor nos últimos dez anos, segundo balanço da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Na capital, no entanto, houve aumento de 15,52% em outubro deste ano, depois de alta de 5,55% em setembro, segundo levantamento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A tarifa aérea média doméstica foi de R$ 272,64 no primeiro semestre de 2012, valor 36,2% menor em relação ao mesmo período de 2002, quando ficou em R$ 427,16, segundo a Anac. Ainda de acordo com a Anac, o valor referente ao segundo trimestre de 2012, de R$ 258,59, teve redução de 6,2% se comparado ao mesmo período do ano passado.

A grande questão que surge é: o trabalho do governo de transformar o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, como hub (ponto de conexão) nacional, pode encarecer os preços das tarifas locais? O especialista em aviação Renato Cláudio Costa avalia que o fato de a capital estar “no meio do caminho” entre várias cidades, como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, pode elevar os preços das passagens locais. 

“Quem quiser vir para Belo Horizonte pode acabar pagando mais, pois na verdade aqui será a cidade de passagem para outras”, diz . Há ainda outro fator que pode ajudar a encarecer os preços dos bilhetes aéreos na capital, avalia Costa. “O preço da passagem depende da oferta e demanda. Se o mercado está comprador, o preço sobe”, diz. Ele ressalta que o valor da passagem de avião é cobrada através de um mix tarifário que inclui de três a quatro preços de passagens. 

O aeroporto de Confins tem a seu favor a localização estratégica, o centro nacional de manutenção da Gol e a taxa competitiva do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o querosene de aviação. Algumas companhias aéreas já se movimentam para transferir voos de outros estados para Confins. A iniciativa aconteceu principalmente com a Gol, que reduziu voos em Brasília, com grandes chances de serem transferidos para Belo Horizonte.




Consumir exige boa performanceSeja qual for a sua característica, quando o assunto é comprar, consultores financeiros dizem que é preciso ter sabedoria tanto para juntar dinheiro quanto para desembolsá-lo


Guilherme Águido assume que gosta de comprar e já está de malas prontas para a Black Friday, nos EUA: 'Quando compro sinto um prazer indescritível' (EULER JÚNIOR/EM/D.A PRESS)
Guilherme Águido assume que gosta de comprar e já está de malas prontas para a Black Friday, nos EUA: "Quando compro sinto um prazer indescritível"
O advogado Guilherme Águido, de 27 anos, tem uma queda além do comum pelas compras. Em novembro, ele vai passar uma semana nos Estados Unidos. O que o levou a marcar a viagem foi uma liquidação, a Black Friday, que ocorre no dia seguinte ao feriado de Ação de Graças e oferece descontos de até 90% nos mais variados segmentos do consumo. Águido planeja comprar roupas, celular e outros produtos. A passagem foi comprada num site de descontos. “Quando compro sinto um prazer indescritível”, reconhece. A dentista A. M. L., de 49, ao contrário, é tomada pela aflição se o assunto é gastar dinheiro. Em viagens internacionais com os amigos, recusa-se a comer nos restaurantes escolhidos por eles porque acha muito caro. Quando o marido a convida para ir ao cinema, calcula que gastará no mínimo R$ 50, e logo desanima. “Tento não economizar demais, mas não está em mim. Não tenho controle.” 

Guilherme e A. são consumidores opostos, entretanto, ambos devem enfrentar desafios nas compras, já que o Brasil será o quinto maior mercado consumidor do mundo em 2020, movimentando R$ 3,5 trilhões e superando economias como da França, Inglaterra e Itália, segundo o  estudo Perspectivas da economia brasileira, elaborado pelo Ministério da Fazenda. Para ter ideia, hoje, o país já lidera o ranking de consumo de perfumes e está em terceiro lugar quando os itens são computadores e geladeiras. “Já tive um cliente que juntou dinheiro a vida toda, chegando a R$ 5 milhões, a custo sacrifício total. Depois perdeu tudo ao entrar num negócio no qual não tinha experiência. Ele caiu em depressão”, afirma Erasmo Vieira, consultor de finanças. De acordo com ele, é preciso saber ganhar dinheiro, mas também é necessário saber gastar. “É preciso viver em paz com o dinheiro, ter sonhos e realizá-los, como por exemplo comprar imóveis, fazer uma viagem. Dinheiro foi feito para gastar. Mesmo quando se guarda para o futuro, alguém vai gastá-lo um dia.” 
Maria de Lourdes de Souza economiza 80% do salário: 'Construí uma casa de nove cômodos' (MARCOS VIEIRA/EM/D.A PRESS)
Maria de Lourdes de Souza economiza 80% do salário: "Construí uma casa de nove cômodos"

Não existem estatísticas seguras que indiquem qual o percentual da população brasileira ou mundial se enquadra na lista dos compradores compulsivos, mas estima-se que, em média, 3% da população sofra com o transtorno. Para os econômicos em excesso, definitivamente não há números. Mas todo mundo conhece um. Frederico Garcia, professor do Departamento de Psiquiatria e coordenador do Centro Regional de Referencias e Dependência da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que em geral as pessoas que possuem avareza extrema têm personalidade obsessiva, caracterizada pela rigidez de pensamento. “Para elas, correr riscos gera uma ansiedade muito grande e a retenção vem para evitar a ansiedade oriunda do medo de perder o controle”, explica. Já os dependentes de compras sofrem de ansiedade de maneira constante e ficam mais tranquilos quando gastam. “Essas pessoas gostam de correr riscos, de investir, de ver o que vai dar e de satisfazerem a si mesmas.” 

Sem significado
Ainda que adotem atitudes opostas no que se refere à forma de lidar com o dinheiro, o advogado e a dentista têm algo em comum: uma relação patológica com a propriedade, já que os produtos que o gastador compulsivo acumula, muitas vezes sem sequer usar, e o dinheiro que o poupador doentio deixa de gastar acabam caindo na mesma falta de significado. L.U.G., de 55, já foi empresário bem-sucedido, mas acabou perdendo tudo e hoje está desempregado. Com dois filhos em idade escolar, mensalidades do colégio sempre atrasadas e dívidas com amigos, parentes e amigos de parentes, vendeu tudo o que tinha, inclusive os cristais e as roupas de cama de sua casa. Hoje, vive de bicos. Mesmo assim, quando recebeu um dinheiro extra, não hesitou em comprar uma cama de R$ 3 mil e continua não dispensando as roupas de marca.

Equilíbrio é possível 

A médica Naila diz que se reeducou financeiramente e conheceu 25 países (PAULO FILGUEIRAS/EM/D.A PRESS)
A médica Naila diz que se reeducou financeiramente e conheceu 25 países
Entre a gastança e a vida do Tio Patinhas, há um equilíbrio possível, mostra a experiência bem-sucedida de pessoas que viraram a mesa e assumiram o controle de suas finanças e os desafios de gastar de forma consciente. Foi o que ocorreu com a médica reumatologista Naila Trícia do Espírito Santo, de 37 anos, que, segundo ela, gastava de forma inconsciente, embora nunca tenha se considerado uma consumidora compulsiva. 

“Ganho bem, por isso nunca me endividei. Mas houve uma época em que trabalhava em sete empregos para dar conta de tudo o que consumia”, revela. Hoje, a situação mudou. Depois de fazer cursos na área, a médica ganhou mais uma profissão e passou a atuar também como educadora financeira. “Antes, só viajava para congressos, mesmo tendo sete empregos. Depois, mesmo trabalhando muito menos, já conheci 25 países”, comemora. 

A cuidadora de idosos Maria de Lourdes de Souza, de 58, é obsecada por poupar. Economiza cerca de 80% do salário a cada mês e só vai às compras em situações-limite, como ocorreu na quarta-feira, quando pisou pela segunda vez num shopping. “Construí uma casa de nove cômodos em Lafaiete e outra de cinco no lote da minha mãe, na roça. Sempre fui econômica. A vida me ensinou”, diz. Mesmo com uma poupança acumulada há 20 anos, ela abriu mão da academia porque acha a mensalidade de R$ 100 muito cara. “Penso que posso precisar desse dinheiro no futuro. Acho que vou começar a gastar quando me aposentar. Aí quero viajar e aproveitar a vida.” (ZF)






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