12 de fevereiro de 2012

Disfunção erétil atinge 5 em cada 10 homens.


Cinco em cada 10 homens paraibanos acima dos 40 anos sofrem algum grau de disfunção erétil. A estimativa é do urologista, pesquisador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e ex-presidente estadual da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Arlindo Monteiro de Carvalho Júnior, que se baseou em estudos apresentados no Consenso Brasileiro de Disfunção Erétil da SBU e em pesquisas estatísticas empreendidas pelo National Ambulatory Care, dos Estados Unidos.
O problema é causado, principalmente, por questões psicológicas e gera medos, insegurança e pode até levar ao suicídio. Já os medicamentos para combater o distúrbio têm como base quatro drogas, sendo quatro os mais populares. Como não precisam de receita médica, têm se expandido e contribuído para um uso indiscriminado entre a população masculina, inclusive entre jovens, que, em busca da “transa perfeita”, podem ficar até impotentes. Além disso, a oferta é ainda mais ampla, pois existem também similares, genéricos e até “piratas”, estes últimos vendidos no Ponto de Cem Réis, no Centro da Capital.
Em João Pessoa, aliás, já se observa o fenômeno da “jovialização” do uso dos estimulantes: durante o Carnaval, as vendas chegam a crescer até 40% em farmácias. Em algumas delas, mais de 50% dos clientes que compram esses remédios são jovens entre 20 e 30 anos. Para a psicóloga Karina Simões, especialista em Sexualidade Humana pela Universidade de São Paulo (USP), isso é bastante perigoso, uma vez que, além de efeitos físicos, pode gerar dependência psicológica.
“Virou moda. É comum virem aqui querendo sair, na mesma noite, com duas ou três mulheres, por isso compram o medicamento na crença de que vai melhorar o desempenho”, revelou Osias de Sales Bezerra, gerente da Farmacentro, na Praça 1.817, na Capital. “Muitos chegam aqui e dizem ‘me daí ai umas caixas, que eu vou pra uma festinha nesse fim de semana e quero me garantir’”, indicou Luciano Sarmento, vendedor da Farmácia Retão, em Manaíra.
A especialista em Sexualidade Humana Karina Simões condena esse tipo de atitude. “Eles estão na flor da idade, não precisam disso, mas sim enfrentar seus medos”, disse, referindo-se ao fato de que o uso de estimulantes está estreitamente ligado ao receio de “falhar”, seja por intimidação ou por inexperiência.   

Curiosidade
O pesquisador Arlindo Monteiro Júnior explica que, inicialmente conhecida como “impotência sexual”, a disfunção erétil teve o nome alterado, por carregar consigo uma carga pejorativa que dificultava ainda mais o tratamento dos pacientes que tinham a origem da doença no aspecto psicológico. Apesar disso, indica ele, o distúrbio é bastante comum. “Felizmente, a grande maioria dos casos é leve”, informou.
“Só estimulantes não resolvem”

Embora comum, a disfunção erétil (DE) ainda é tabu: quem sofre não conta, e quem conta não quer ser identificado. O grande problema, porém, reside aí: com a falta de informação, somada ao medo e à vergonha, muitos homens resolvem se automedicar, sem nenhuma orientação. O que eles não sabem é que o estimulante será inútil, se a DE tiver origem orgânica, ou se os problemas psicológicos que impedem a ereção não forem solucionados. Assim, alerta a psicóloga Karina Simões, especialista em Sexualidade Humana pela Universidade de São Paulo (USP), em muitos casos, o remédio sequer tem qualquer efeito, o que emocionalmente tem um impacto imenso.
“Isso agrava todo o quadro, porque o paciente vai acumular uma série de frustrações, tendo em vista que ele fez diversas tentativas através dos medicamentos, mas nada mudou. O trauma, que antes poderia ser resolvido de forma relativamente simples com a ajuda de um psicólogo, acabou se multiplicando, e a situação já chega bem piorada”, enfatiza. Contudo, Karina ressalta que ainda pior é o caso de quem não procura ajuda.
“Primeiro pode aparecer uma depressão que pode se agravar, porém há também pacientes que desenvolvem Transtornos Obsessivos Compulsivos (TOC): eles ficam obcecados por sexo e por informações relativas ao tema, mas, como eles não conseguem ter a ereção, ficam cada vez piores. Daí ele começam a se isolar, cai o rendimento no trabalho e no relacionamento com outras pessoas, podendo vir a aparecer uma fobia social, até o ponto em que se chega a uma depressão crônica grave”, relatou. Nesses casos, podem aparecer pensamentos suicidas.
“Devido ao TOC e à depressão, a vida desse homem vai se resumir a sexo. Como ele não consegue ter relações, ele vai pensar que ele não serve mais para nada, e é quando vem o desespero de acabar com a própria vida. Já tive pacientes nessa situação, que é bastante complicada de se resolver. Infelizmente muitos só pensam no acompanhamento psicológico como o último dos recursos, quando deveria ser o primeiro”, lamentou. No tratamento, aponta a psicóloga, a família é parte imprescindível, em especial o companheiro ou companheira do paciente.

Uso pode causar infarto e AVC
O urologista e pesquisador da UFPB, Arlindo Monteiro de Carvalho Júnior, explica que, embora bastante eficientes se utilizados sob orientação médica, os estimulantes podem causar efeitos colaterais diversos nos usuários. Segundo ele, os mais comuns incluem dor de cabeça, congestão nasal e dor nas costas, mas que geralmente passam após o período de efeito do medicamento. Outro efeito bastante observado, indica ele, é o que se chama de “pletora”, quando o paciente fica com o rosto e o colo (região do peito) avermelhados. “Mas, é só por causa da dilatação da pele. Não há aumento da pressão arterial nem causa quaisquer problemas”, esclareceu.
Apesar disso, os efeitos podem ser graves, em especial para pessoas que façam uso de medicamentos contra hipertensão e que contenham as substâncias Sustrate, Nifedipina, Balcor, Isordil e semelhantes. “Os estimulantes sexuais abaixam naturalmente a pressão arterial. Se a pessoa também faz uso dessas outras substâncias, a pressão vai cair ainda mais, e ela poderá ter um infarto isquêmico por falta de fluxo de sangue no organismo, bem como um acidente vascular cerebral (AVC)”, alerta.
O presidente estadual da Sociedade Brasileira de Urologia, Emerson Oliveira de Medeiros, lembra ainda que cada indivíduo pode reagir de uma maneira a cada tipo de estimulante. Alguns não vão se sentir bem com uma determinada marca, o que, apontou, é bastante normal. “Por isso, havendo esses efeitos indesejados, não se deve repetir o uso, mas os casos mais graves de efeitos mais graves, onde entram cegueira e surdez temporárias, são extremamente raros”, disse.

Perigo de impotência

Segundo o presidente estadual da Sociedade Brasileira de Urologia, entre os jovens, existe ainda risco de desenvolver problemas de impotência sexual definitiva pelo uso de estimulantes sexuais. “Um jovem que use esses medicamentos de forma irresponsável pode acabar tendo uma doença chamada priapismo. Nesses casos, a ereção é prolongada, que dura de seis a 12 horas, independente do desejo sexual. Isso se torna bastante doloroso e pode levar à impotência”, explica.
A orientação é que, estando nessas condições, o jovem deve se direcionar urgentemente a um urologista. Em João Pessoa, o único que oferece o serviço de urgência é o Hospital de Trauma, porém, para consultas diversas na rede pública, o usuário conta com essa especialidade no Edson Ramalho, no Santa Isabel e no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW).
Injeção é alternativa para distúrbio

Viagra, Cialis  e Levitra são os medicamentos mais vendidos na Farmácia do Arnaldo, na Capital. Esses remédios fazem parte do tratamento de primeira linha (via oral), segundo  Emerson Oliveira de Medeiros, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, seccional Paraíba. Caso não surtam efeitos, o urologista poderá indicar outras duas formas de intervenção: em um segundo nível, encontram-se as injeções penianas; em um terceiro, a prótese peniana.
As injeções, segundo Emerson, são aplicadas no próprio pênis do paciente a cada vez que quiser ter uma relação sexual. “Os efeitos começam a surgir de 20 a 40 minutos depois, e a duração é de até quatro horas. Mas, como em todo caso, é preciso estímulo e desejo sexual para se obter a ereção”, explicou. No caso das próteses penianas, que já existem há bastante tempo, muito antes do nascimento do Viagra, o médico explica que, para colocá-la, o homem sofrerá um processo cirúrgico.
“Esses de terceira linha são mesmo o último recurso, recomendados exclusivamente para casos mais graves. Existem alguns tipos de próteses, mas uma das mais avançadas é a que possui um reservatório inflável. Um dispositivo vai ocupar os corpos cavernosos do pênis (a parte interna) e, através de acionamento nos testículos, onde é localizada uma bolsa, um líquido é transferido para o órgão genital, sendo obtida a ereção”, disse.
Nesses casos, explica a psicóloga Karina Simões, é ainda mais fundamental um acompanhamento psicológico. “Nem todos vão ter a estrutura para entender que o órgão funciona agora mecanicamente, por isso primeiro avaliamos, juntamente com o urologista, se aquele paciente pode se submeter ao procedimento. Caso sim, nós acompanhamos sua recuperação e adaptação”, disse.

Solução parcial

Para o pesquisador Arlindo Monteiro Júnior, o desenvolvimento de medicamentos para disfunção erétil, iniciado em 1998, com o Viagra (à base de uma substância chamada Sildenafil), é um marco dentro da Medicina. Desde então, outras drogas foram desenvolvidas. “Hoje contamos com mais três: a Tadalafila, com o ‘Cialis’, a Lodenafila, com o ‘Helleva’ e a Vardenafila, com o ‘Levitra’. Com a quebra recente da patente do Viagra, o custo barateou bastante. Já encontramos o genérico Sildenafil por preços que variam de R$ 3 a R$ 6 o comprimido”, indicou.
O presidente da SBU na Paraíba, Emerson Medeiros, também acredita que o Viagra foi um divisor de águas. “O Viagra trouxe uma esperança muito maior para as pessoas que sofrem desse distúrbio. É bastante claro hoje que a disfunção atinge grande número de homens. De todos os meus pacientes com mais de 40 anos, pelo menos 40% têm esse transtorno, e isso se repete em qualquer consultório”, disse.

Como eles funcionam

O pesquisador e urologista Arlindo Monteiro Júnior explica que as substâncias Tadalafila, Lodenafila, Vardenafila e Sildenafil, moléculas base dos medicamentos contra disfunção erétil, fazem parte de uma família de drogas conhecidas como Inibidores da “Fosfodiesterase tipo 5” ou simplesmente “Inibidores da PDE-5”. Segundo ele, esses remédios facilitam a ereção, à medida que bloqueiam uma enzima do pênis responsável pela perda da ereção. Além disso, elas acumulam outras duas funções: duas outras substâncias fazem com que as ereções sejam mais rápidas, mais rígidas e mais prolongadas. “Isso possibilita um maior e melhor desempenho sexual”, indicou.

Sexo sem proteção

Em 10 anos, o número de casos de Aids em pessoas com mais de 60 anos no Brasil cresceu 105,27%, segundo dados do Ministério da Saúde. Em 2000, foram 702 notificações; em 2010, foram 1.441, sendo a maioria desse total de homens (59,75%). O uso de estimulantes sexuais, apontam médicos, não são causas diretas, mas contribuem para o avanço da doença nessa faixa etária.
“Houve uma contribuição indireta, porque favorece o sexo e a ocasião. Se o ato for acompanhado da falta de proteção, que é feita através da camisinha, eles estarão não só expostos à Aids, mas também a riscos de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). O responsável direto é a imprudência e a falta de orientação”, disse o urologista e pesquisador da UFPB, Arlindo Monteiro Júnior.
É por esse motivo, explica a psicóloga Karina Simões, que, nos acompanhamentos psicológicos por ela realizados, o companheiro é chamado independentemente da idade, porque é feito também um trabalho de reeducação sexual.  “A falta da educação sexual é uma das causas principais de problemas, como as disfunções, por isso fazemos um planejamento que contém, entre outros pontos, aulas sobre sexo”, disse.

“Tenho medo de tomar”

O aposentado Regimar Ribeiro da Silva, de 82 anos, conta que leva uma vida feliz com sua esposa, curiosamente chamada Felicidade. Divertem-se, fazem aulas de canto e ajudam pessoas carentes, mas também têm um momento de intimidade, em que namoram como nos velhos tempos. Apesar disso, afirmou ele, não faz uso de estimulantes por medo.
“Eu tenho muito medo, sabe? Levo uma vida normal com minha esposa. A gente não é mais novinho, mas temos uma vida tranqüila. Não acho que haja necessidade de usar esses remédios. Pode ser que venha afetar o coração, e eu estou muito bem de saúde, não quero correr o risco”, conta ele. “Vou levando até o meu dia chegar, mas podemos ser muito felizes”, acrescenta.
Regimar faz parte do Centro de Convidência do Idoso (CCI-IPM), do Instituto de Previdência do Município, que hoje conta com cerca de 800 cadastrados e 300 membros ativos.
Conheça os principais medicamentos
1) Viagra - Fabricado pela Pfizer, o Viagra foi o primeiro estimulante sexual lançado no Brasil, em 1998. Para medir o grau de ereção, a empresa utiliza uma Escala de Rigidez de Ereção (ERE), que tem quatro níveis. Estudos empreendidos pela Pfizer mostram que 76% dos usuários conseguiram chegar até esse último estágio. A ação do produto tem início em 12 minutos e duração estimada de quatro a seis horas. Outra pesquisa mostra ainda que apenas 2% dos pacientes que tomaram Viagra descontinuaram o uso por efeitos colaterais.

2) Cialis - Lançado em 2003 no País, o Cialis figura entre os medicamentos mais vendidos para disfunção erétil. A Eli Lilly do Brasil, fabricante do produto, promete que os homens retomem a qualidade da vida sexual anterior ao problema, já que, informa a empresa, ao tomar um comprimido diariamente, podem manter relações em qualquer momento do dia e da noite, tendo em vista que a duração vai até 36h. O início do efeito é estimado em 30 minutos.





POSTADO POR FOCO PB.

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