7 de fevereiro de 2012

Delegado é indiciado por suspeita de atirar em festa de Marcelinho Paraíba


Irmã do delegado indiciado é suposta vítima de estupro do jogador.
Perícia aponta que delegado atirou durante confusão na festa em Campina.


Rodrigo Pinheiro saiu da delegacia sem falar com a imprensa após indiciamento (Foto: Karoline Zilah/G1 PB)Rodrigo Pinheiro saiu sem falar com a imprensa
após indiciamento
 
O delegado Rodrigo Pinheiro foi indiciado na tarde desta segunda-feira (6) por ter disparado um ou mais tiros em uma festa no sítio do atleta Marcelinho Paraíba, em Campina Grande, em novembro de 2011. Pinheiro é irmão de uma advogada que acusa de estupro o jogador campinense. O indiciamento foi divulgado após uma hora e meia de depoimento de Rodrigo Pinheiro ao delegado Francisco de Assis, da 7ª Delegacia Distrital do bairro da Catingueira, em Campina Grande.

Pinheiro chegou à 7ª DD para prestar depoimento meia hora antes do horário marcado, por volta das 15h30, deixando o local sem falar com a imprensa. Porém, segundo o delegado responsável pela investigação, o indiciado manteve a versão inicial, reafirmando não ter efetuado disparos no local e no dia do fato. Além de negar que estivesse portando duas armas naquela ocasião, Pinheiro explicou que os resquícios de pólvora encontrados pelo exame de residuograma do Instituto de Polícia Científica (IPC) em sua mão esquerda teriam surgido durante o manuseio da munição.

“Ele alegou que, ao manusear a arma, quando retirou a munição, provavelmente ficaram resíduos que apontaram nos exames como sendo disparos”, disse Francisco de Assis. O delegado indiciado também declarou em depoimento não saber quem efetuou os disparos no dia da festa na casa do jogador.

Rodrigo Pinheiro, que troca acusações com o jogador Marcelinho Paraíba, começou a trabalhar como delegado titular da Delegacia de Sapé também nesta segunda. O laudo do exame de residuograma, feito pelo Instituto de Polícia Científica (IPC), confirmou que a análise aponta resquícios de chumbo na mão esquerda dele.
Delegado indiciado por tiros no sítio de Marcelinho Paraíba (Foto: Reprodução/TV Paraíba)Delegado chamou a polícia para dar voz de prisão
ao jogador Marcelinho Paraíba em seu sítio

 
“Sou destro, por isso nunca vou atirar com a mão esquerda. Eu peguei a munição pra entregar à polícia com a mão esquerda, é claro que ia dar positivo. Fui eu mesmo que pedi ao delegado que fizesse o exame”, explicou mais cedo em entrevista ao G1. Mas, segundo Francisco de Assis, "ele foi indiciado com base no laudo pericial e nas provas testemunhas. Não houve alternativa".

Após o interrogatório de qualificação, que culminou no indiciamento de Rodrigo Pinheiro, o caso será encaminhado ao Ministério Público. O delegado responsável pelo caso não quis entrar em detalhes sobre a pena prevista para o crime de disparo em via pública, acrescentando que a interpretação desse tipo de crime vai depender da Justiça, caso seja condenado.

Depois de mais de dois meses afastado de suas funções, Rodrigo Pinheiro havia sido designado para assumir a delegacia regional de Sapé e voltar ao serviço também nesta segunda-feira. O delegado geral da Polícia Civil, Severiano Pedro do Nascimento Filho, explicou que o delegado não pode ser afastado de forma definitiva enquanto não for julgado. Segundo ele, o fato de Pinheiro estar respondendo tanto na esfera penal quanto administrativa não o impede de voltar a exercer suas funções. Entretanto, o delegado indiciado responde paralelamente a um inquérito administrativo na Corregedoria da Polícia Civil.

Entenda o caso
Marcelinho Paraíba foi preso, na madrugada de 30 de novembro de 2011, sob a acusação de tentativa de estupro, desacato à autoridade e resistência à prisão. Com outros amigos, ele participava de uma festa em Campina Grande, terra natal do jogador, para comemorar a boa campanha do atleta na Série B deste ano. Ele marcou 12 gols pelo Sport e foi peça determinante para o acesso do clube à Série A.
Jogador Marcelinho Paraíba é levado para carceragem da Central de Polícia de Campina Grande (PB) (Foto: Karoline Zilah/G1)Marcelinho Paraíba foi levado para carceragem da
Central de Polícia de Campina Grande

 
Por volta das 4h30, Marcelinho teria tentado beijar uma mulher cuja identidade foi preservada. Ela é irmã de Rodrigo Rego Pinheiro, delegado de Polícia Civil. Os advogados do jogador confirmam a tentativa de beijo, mas disseram que o atleta não passou disto. O irmão da vítima, no entanto, que foi quem chamou a polícia e formulou a acusação, diz que Marcelinho Paraíba passou para a agressão diante da recusa da mulher em beijá-lo. Ele teria puxado o cabelo dela e a mordido. O irmão diz ainda que ele tentou estuprá-la.
Uma vez que a Polícia chegou ao local, chamada por Rodrigo Pinheiro, segundo Marcelinho, o delegado teria efetuado alguns disparos. Pinheiro se defendeu negando ter atirado, mas um exame de residuograma encontrou pólvora na mão esquerda do delegado.

Essa não é a primeira vez que Marcelinho Paraíba se envolve em polêmicas. Em janeiro de 2010, ele foi condenado a seis meses de prisão em regime semi-aberto, acusado de agredir um homem em uma casa de shows de Campina Grande, em junho de 2004. Tal como agora, o atleta estava em sua cidade natal, comemorando o final da temporada esportiva - na época, ele jogava no futebol europeu, cujo calendário termina no meio do ano.

Dois anos antes, em 2002, houve a primeira confusão grave: Marcelinho foi detido aparentemente bêbado, dirigindo em alta velocidade, na Alemanha. Depois, já como atacante do Wolfsburg, também no país europeu, ele foi acusado de se envolver em uma briga numa boate de Berlim, em que teria quebrado uma garrafa de cerveja no rosto de um cliente.


POSTADO POR GENILDO ALVES/G1.

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