10 de dezembro de 2011

Familiares recorrem a internação involuntária para tratar dependentes químicos.




Familiares recorrem a internação involuntária para tratar dependentes químicos

O governo Federal lançou um plano de combate ao crack que traz, entre outras ações, a ampliação de unidades para internação involuntária de usuários de drogas. O investimento previsto é de R$ 4 milhões até 2014.

De acordo com a Política Pública de Saúde, 2001, prevê a internação involuntária, inclusive para menores de idade, sem o consentimento do usuário, a pedido de parentes ou representantes legais.

Esse é um tema bastante polêmico, em que profissionais da área da saúde, organizações não governamentais, instituições públicas e familiares têm opiniões diferentes.

De acordo com o psiquiatra Dr. Isidoro Cobra, “a duração apropriada do tratamento para um indivíduo depende de seus problemas e necessidades. Pesquisas indicam melhora significativa sendo alcançada num período de 90 dias a dois anos de intervenção terapêutica (que vai de internação até tratamento ambulatorial).”

Para o especialista, existe uma série de remédios e procedimentos que estabilizam de forma segura os sintomas do paciente. “As medicações entram para restabilizar o cérebro a diminuir seu apetite em consumir drogas, deixando-o mais estável para manter a motivação para continuar abstêmio”.

Para a psicóloga, Adriana Talarico, “é importante lembrar que o dependente químico não é um criminoso, mas um doente e que precisa de tratamento”.

De acordo com a lei, a internação involuntária pode ser aplicada nos casos em que a droga desencadeia problemas sérios de saúde tais como surtos psicóticos no dependente, a ponto de ameaçar a vida de quem está ao redor. Evidências apontam que uma internação involuntária é efetiva, pois o paciente experimenta a oportunidade de se perceber em abstinência, ideia esta que já estava fora do imaginário de quem está em pleno uso.

A recuperação da dependência química É um processo que requer vários tipos de intervenção em diferentes níveis de tratamento. Tal como uma doença crônica, é passível de recaídas. A participação em programas de apoio e de autoajuda são amplamente aconselhadas. Os familiares podem não saber o momento exato de recorrer a internação involuntária. A ajuda de um profissional mais especializado e fundamental para orientar os familiares.

A família deve orientar e dar exemplo sempre, mas o assunto drogas é bem difícil de ser discutido e avaliado de forma correta quando há um envolvimento emocional entre os membros - como mãe e filho, pai e irmãos, etc. 

“Não há uma receita, mas há uma fórmula certa: não desistir e se conscientizar que há um problema, que é uma doença crônica, incurável e fatal quando não tratada. Nem sempre dá pra esperar o paciente querer, pois ele pode já estar comprometido pelo uso de drogas,” afirma Adriana.

“A desintoxicação médica é apenas o primeiro estágio do tratamento e por si mesma contribui pouco para mudança em longo prazo do uso de droga. O medicamento é um elemento importante no tratamento de vários pacientes, mas precisam ser combinados com outras terapias comportamentais para ajudarem efetivamente o paciente”, finaliza Dr. Isidoro.




POSTADO POR GENILDO ALVES/TIME EXPRESS.

Nenhum comentário:

Postar um comentário