25 de outubro de 2011

Estudo do CPqD contratado pelo SindiTelebrasil divide especialistas.

O secretário de comunicação eletrônica do Ministério das Comunicações (Minicom), Genildo Lins de Albuquerque, afirma que o estudo realizado pelo CPqD sobre a faixa de 2,5 GHz “não é bom”. O cerne da polêmica foi a constatação de que em São Paulo haveria a necessidade de se remanejar apenas um canal digital e haveria quatro canais vagos para recebê-lo. O impacto da migração nos municípios vizinhos, explica o CPqD, seria analisado em uma segunda etapa do estudo que foi divulgada nesta terça, 25. “O estudo não analisa o impacto nos municípios vizinhos. Isso é básico.

 Qualquer estudo que não olha essa questão, não é um bom estudo”, disse o secretário que participou do 28º Encontro Telesíntese, que aconteceu nesta terça em Brasília.

José Manoel Rios, um dos técnicos do CPqD que participaram da elaboração do material, saiu em defesa do estudo. Ele explicou que, de fato, na primeira etapa o impacto nos municípios vizinhos não foi considerado, o que consta da segunda etapa do trabalho. E a conclusão é que o refarming da faixa na região depende de um estudo detalhado de radiocobertura. "Alguns canais entre 52 a 59 nos municípios vizinhos não podem ser realocados para a faixa de 14 a 51 sem observar a ocupação dessa faixa no município de São Paulo", diz o texto do documento.

O assunto voltou a ser debatido em audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados. Dessa vez quem criticou o estudo foi o diretor da Abra, Frederico Nogueira. “Sobre a suspeita de que o estudo é parcial, basta verificar quem está financiando”, afirma ele. Quem encomendou e, portanto, pagou o estudo foi o SindiTelebrasil.

Nogueria diz que não será fácil concluir a transição para a TV digital até 2016, dada a dificuldade para levar a nova tecnologia para os grandes centros. Suas críticas atingem até o BNDES, que tem agido na sua visão, de maneira discriminatória. “Desde que foi aberta a linha de crédito de R$ 1 bilhão para a TV Digital, ninguém conseguiu os recursos. O BNDES não sabe trabalhar com a radiodifusão, mas tem recursos em abundância para telecom”, critica. O executivo ainda argumenta que no passado, o setor de telecom brigou “com veemência” pelas frequências do WiMAX e hoje o WiMAX na sua visão estaria “abandonado”’.

Uso eficiente

Aliás, quando o assunto é espectro é inevitável que a questão do uso eficiente venha à tona. A Abert propôs a contratação de uma consultoria independente para verificar como é o uso efetivo que o setor de telecom faz do espectro que foi alocado para as comunicações móveis. O diretor de uso e planejamento de espectro da Abert, Paulo Balduíno, até propôs custear boa parte do estudo. O diretor presidente do SindiTelebrasil, Eduardo Levy, disse que concorda com a ideia. Balduíno apresentou dados que mostram que nos EUA as comunicações móveis dispõem de 547 MHz de banda e no Brasil 759 MHz. Ele reforça que as teles tem outras banda disponíveis para as suas necessidades como o 2,5 GHz, o 3,5 GHz e o 450 MHz, enquanto que a radiodifusão só tem o 700 MHz.



POSTADO POR GENILDO ALVES/Helton Posseti.

Nenhum comentário:

Postar um comentário