23 de outubro de 2011

Crítica: 'Os Três Mosqueteiros querendo ser ‘Piratas do Caribe’

Não dá nem para contar quantas versões existem da obra máxima de Alexandre Dumas - a primeira, segundo o IMDb, data de 1903. Mas vai ser difícil encontrar alguma tão disparatada quanto este novo Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers, EUA, 2011). Pouca coisa restou da obra original, mas o problema nem é esse: é que, o que mudou, mudou para pior, e o que restou, foi “adaptado” para se tornar o mais simplório possível.
Claro, a desculpa será sempre atender ao gosto jovem atual. Por isso, o 3D, mais explosões e tiros do que todas as versões anteriores somadas e multiplicasas por si mesmas, câmeras lentas como “estilo” em cena de ação, e uma mulher que luta, claro, como um homem (a ucraniana Milla Jovovich, esposa do diretor Paul W.S. Anderson e que se especializou nesse tipo de coisa). Tudo da maneira mais “fácil” e dentro da receitinha possível.
Na prática, Os Três Mosqueteiros é um filme que em nenhum momento parece acreditar que pode ser um bom filme de... bem, mosqueteiros, e sempre quer ser outra coisa.
Começa defendendo a ideia que os mosqueteiros eram os James Bonds da França do século XVII, depois macaqueia as tumbas secretas dos filmes de Indiana Jones e mais à frente mostra que a ideia é ser mesmo um novo Piratas do Caribe, por mais absurdo que isso soe.
Se, a despeito de todas as diferenças possíveis, ainda formos comparar, Piratas ao menos tem Johnny Depp e seu Jack Sparrow. Não há qualquer equivalente de carisma visível neste Os Três Mosqueteiros. Christoph Waltz é evidentemente o melhor ator do filme, mas seu Cardeal Richelieu é tão maltratado quanto os personagens a cargo dos muitos atores inexpressivos.
Matthew Macfayden, como Athos, é o único que consegue algum registro, mas o roteiro simplesmente não o ajuda, nem a Waltz. Alexandre Dumas nem era assim tão denso, mas esse Os Três Mosqueteiros faz o livro original parecer Dostoiévsky.
 
 
 
POSTADO POR GENILDO ALVES.

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