23 de outubro de 2011

Criação de caprinos cresce 25,16% na Paraíba.

A cultura de caprinos e ovinos é uma atividade tradicional no interior da Paraíba, que tem movimentado nos últimos sete anos mais de R$ 35 milhões no Estado. Em 2011, o rebanho paraibano atingiu a marca de 1.068.893 cabeças, um aumento de 214,8 mil animais nos últimos 3 anos, o equivalente a um aumento de 25,16%. Em 2008, o Estado tinha 854 mil cabeças.   
A pesar do aumento na produção e da queda de 11,5% nas importações de carne ovina do Uruguai em 2010 em relação a 2009, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a oferta de carne de ovinos e caprinos ainda é insuficiente para o abastecimento do mercado interno.
“O rebanho caprinovino da Paraíba é reconhecido nacionalmente por apresentar a melhor qualidade genética tanto para animais de corte como para animais de leite”, afirma o secretário da Secretaria da Agropecuária e da Pesca da Paraíba (Sedap), Marenilson Batista. Em 2009, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE) o rebanho de ovinos da Paraíba era o 11º maior do país, e o de caprinos, o 5º.
Segundo o Diretor Executivo da Empresa Estadual de Pesquisa e Agropecuária (Emepa), Wandrick Hauss, já estão sendo desenvolvidos, em parceria com a Universidade Federal da Paraíba, tecnologias que devem aumentar a produtividade e a taxa de natalidade, reduzindo a mortalidade nos rebanhos.
“Uma das grandes dificuldades é ir de encontro às formas tradicionais de criação. Muitas vezes o agricultor resiste no que diz respeito à estocagem de alimento para períodos de seca e a diminuição no abate das fêmeas”, afirma.
O aumento do beneficiamento e da produção de leite de cabra e a legalização do abate são fatores que estão sendo incentivados visando o aumento da produção caprinovinocultura do Estado.
“O programa do leite limita a compra de leite por produtor para garantir que todos sejam atendidos, mas isso acaba limitando a produção, se não houver outras formas de escoar a produção”, afirma o pesquisador.
Hoje, a Paraíba é o maior produtor de leite caprino do país, com uma produção 18 mil litros de leite de cabra por mês, de acordo com a Emepa. Essa produção é destinada ao Programa do Leite, do Governo do Estado, que é responsável pela distribuição do leite de cabra a famílias carentes em  223 municípios paraibanos.
De acordo com dados da Sedap, o pequeno produtor rural da agricultura familiar fatura em média R$ 666 por mês, com a venda de leite ao Programa Leite da Paraíba. Só este Programa já pagou aos produtores fornecedores de leite de cabra R$ 35 milhões entre 2004 e 2010.

Setor faz Simpósio Internacional em JP
Para mostrar a capacidade produtiva e as possibilidades de ampliação dos negócios, começa amanhã, no Hotel Tambaú, o 5º Simpósio Internacional sobre Caprinos e Ovinos de Corte (Sincorte), considerado um dos maiores encontros do agronegócio da caprinovinocultura da América Latina. De acordo com o organizador do evento, Wandrick Hauss, está é uma grande oportunidade para que os produtores e consumidores conheçam mais sobre a cadeia produtiva e as possibilidades de aproveitamento da caprinovinocultura em diversos segmentos da economia.
O evento será realizado entre os dias 24 e 28 de outubro, no Hotel Tambaú, e acontece simultanemente à Feira Nacional do Agronegócio da Caprinovinocultura de Corte (Fenacorte) e ao 2º Fórum Nacional sobre a Caprinocultura leiteira. Os sistemas de produção sustentáveis de carne e leite são os principais temas abordados durante o Sincorte.
“Às vezes, o produtor que está na base da cadeia produtiva não faz idéia do quanto sua matéria prima pode ser aproveitada. Levar esses produtores ao evento é uma forma de incentivar o desenvolvimento tecnológico na produção de base”, disse Wandrick.

Abrasel monta espaço gastronômico
Ficará montada entre os dias 24 e 28, no Hotel Tambaú, a “Ilha dos Sabores Gastronômicos da ovinocaprinocultura” montada pela Abrasel Paraíba. Na Ilha, participantes e visitantes do evento vão encontrar um espaço gourmet com aulas e degustações de queijos e carnes de ovinos e caprinos preparados por dez restaurantes da Capital Restaurantes de João Pessoa.
Dentro da programação, serão realizados workshops e palestras de renomados chefs de cozinha, além de oficinas direcionada ao pessoal dos restaurantes sobre cortes especiais e tratamento da carne de ovinos e caprinos.
O público que visitar a arena de gastronomia vai poder levar para casa também cortes especiais de carnes e queijos especiais de caprinos e ovinos, que estarão à venda no local. Ainda na programação da Ilha dos Sabores, há atrações musicais com apresentações de forró, chorinho e jazz.
O consumo da carne e derivados da ovinocaprinocultura é tradição na Paraíba e a tecnologia aplicada a suas produções vêm aumentando a qualidade dos produtos oferecidos e ampliado o mercado consumidor.
Um dos pratos típicos mais famosos dessa culinária é a buchada caprina, feita com os miúdos caprinos, condimentados e cozidos dentro invólucros feito a partir do tecido do intestino do próprio animal, o chamado bucho.
Segundo a Emepa, a carne de sol e a carne de charque caprinas vêm sendo produzidas com o intuito de  diversificar a oferta de produtos do tipo mercado, de agregar valor e de incentivar o abate legalizado.  
Para a produção de carne de sol, ela é desossada, secada, lavada em uma solução clorada e deixada ao sol. Depois passa por um processo de defumação e embalagem. Já a carne de charque, após o processo de desossa, é salgada duas vezes, lavada, secada e prensada duas vezes.
A produção de queijos finos também vem conquistando espaço no mercado e no paladar dos paraibanos. Para a produção, são necessários cerca de dez litros de leite de cabra para cada quilo de queijo branco e possui 98 calorias por fatia.

Emepa introduz silagem na criação
Apesar de não ser uma tecnologia nova, a silagem é uma das tecnologias que a Emepa vem tentando introduzir na criação da caprinovinocultura para garantir a reprodução do rebanho durante o período seco.
A técnica consiste no processo de armazenamento e conservação de forragens úmidas, abundantes em quantidade e nutrição durante o período chuvoso e escassas durante o seco. “Sem alimentação nesse período o rebanho, que deveria dar três crias em dois anos, acaba produzindo apenas uma cria por ano”, explica Wandrick Hauss.
Outra inovação é o melhoramento genético, que pretende trazer embriões da África do Sul para aumentar a capacidade produtiva e reprodutiva dos rebanhos estaduais, bem como diminuir o índice de mortalidade entre os recém nascidos.

Valor agregado
De acordo com a coordenadora do núcleo estadual de apoio aos Arranjos Produtivos Locais da Paraíba, Dêlma do Socorro Pessoa, a produção de couro a partir da pele caprina é uma atividade forte na Paraíba. Segundo ela, sobre as peles não sçao adicionados materiais pesados, fazendo da produção de couro de caprino uma atividade ecologicamente correta.


POSTADO POR GENILDO ALVES.

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