7 de junho de 2011

Sargento gay processa 'RedeTV' por quadro humorístico


O sargento licenciado do Exército Fernando Alcântara e o companheiro dele, sargento Laci Araújo, decidiram mover processo contra o programa Superpop, da RedeTV!, por causa de um quadro humorístico veiculado na emissora em 2008. Estopim da discussão sobre a homossexualidade nas Forças Armadas, o casal foi preso após assumir publicamente a relação no programa da apresentadora Luciana Gimenez. Os militares pedem indenização de R$ 500 mil por danos morais.

No quadro, dois atores cujas fisionomias lembram os sargentos são "entrevistados" por uma sósia da jornalista Marília Gabriela. O texto é repleto de trocadilhos envolvendo a atuação militar e a homossexualidade. O esquete foi apresentado uma semana depois da presença dos militares na emissora. A RedeTV! não comentará o processo.

Para a advogada Ada d'Onofrio, os militares só aceitaram o convite da RedeTV! porque se sentiam perseguidos dentro do Exército. Sem saída, decidiram procurar a revista Época e, no outro dia, receberam um telefonema de Luciana Gimenez. "Quando eles levaram isso para a RedeTV, eles levaram uma posição séria. Eles tinham uma relação nesta época de mais de 10 anos, eram militares condecorados", disse a advogada.

Fernando Alcântara diz ter se sentido ofendido com as piadas. "Foi ao ar uma sátira. São piadas de baixíssimo nível, que ridicularizam e violam todo o principio da dignidade", disse o sargento licenciado, que alega ter pedido um valor simbólico.

"Perseguição"

Antes de o casal assumir publicamente a relação à revista Época, Laci já enfrentava um processo por deserção. O militar ficou mais de oito dias sem ir ao trabalho depois de suspensa sua licença médica, o que é considerado crime na legislação militar.

Fernando alega ter feito denúncias de corrupção dentro das Forças Armadas e que a suspensão da licença médica de Laci foi uma espécie de retaliação. O militar diz que seu companheiro sofre de epilepsia e não tinha condições de trabalhar na época.

A ida ao programa da Luciana Gimenez foi uma forma que os militares encontraram para tentar abafar a perseguição que alegavam sofrer. Foi no estúdio da RedeTV! onde os militares cumpriram o mandado de prisão. Após 72 dias preso, Laci foi solto ao receber um habeas-corpus do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. O Exército sempre negou qualquer irregularidade na detenção do militar. Laci foi condenado em primeira instância, na Justiça Militar, a seis meses de reclusão por deserção.

No último dia 16, Fernando Alcântara entrou com uma ação na Corte Interamericana de Direitos Humanos alegando que o País descumpriu preceitos da dignidade da pessoa humana na prisão do casal. O sargento licenciado também lançou um movimento pelo fim da Justiça Militar.

Tiago Nunes com Plenário PB

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