23 de maio de 2011

Impeachment sem povo é o mesmo que sexo sem tesão: dura pouco

A hora certa pra se tomar uma atitude, muitas vezes, é mais importante do que a própria razão que inspira o ato. O pedido de impeachment do prefeito Luciano Agra padece, entre outras coisas, da falta de hora certa.
 
A oposição se precipitou em levantar um processo que, por falta do tempo certo, acabou nascendo sem musculatura. À exceção do barulho que os oposicionistas fazem, o pedido chegou na Câmara sem assinatura de entidade, associação, sindicato ou simplesmente ninguém mais do que o suplente de vereador João Almeida, sempre escalado pra fazer papel de oficial de Justiça.
 
Pra prosperar com seriedade, um pedido de impeachment deve ter no mínimo ressonância popular. Não pode ser uma estratégia de gabinete pra arranhar o alvo.
 
ACM Neto, do DEM, pediu várias vezes o impeachment do presidente Lula. O debate era tão sem fundamento que pouca gente lembra disso hoje. A aprovação popular do presidente petista o protegeu de todas as denúncias.
 
E de qualquer coisa que fosse construída nos gabinetes da oposição. Já com Collor foi diferente. Mecanismos diversos levaram uma massa ir às ruas pedir seu impeachment. Manipulado ou não, o “povo” conseguiu.
 
Se o prefeito assegurar resultados administrativos enquanto a oposição investir no impeachment sem respaldo popular, o pedido não vai passar da Rua das Trincheiras.
 
Reparem. Não estou tratando do mérito das denúncias que se dirigem a Agra. Esse é outro debate. Algumas denúncias merecem sim apuração porque cheiram mal. Estou apenas a afirmar a necessidade que a oposição tem em assegurar respaldo popular pra avançar com qualquer pedido de Impeachment.
 
Tem que pegar nas ruas o texto contra na Agra. E amplifica-o até as eleições de 2012. E não fazer o contrário.
 
Sem clamor social, o pedido de impeachment corre o risco de se virar contra os seus autores. Pode contribuir, inclusive, com uma vitimização do prefeito, como aconteceu com Ricardo Coutinho durante a campanha pra governador.
 
Foi atacado fora de tempo e por vias suspeitas. Acabou, como se sabe, eleito.
 
É compreensível que a oposição pretenda arranhar Agra para enfraquecê-lo até o debate de 2012. Ninguém deixaria um prefeito candidato à reeleição dormindo em berço esplêndido até o dia da eleição.
 
Mas todas as vezes que a classe política andou à frente do anseio popular os resultados sempre surpreenderam.
 
É que o povo não gosta quando tiram dele o direito de “cassar” alguém.
 
A história recente da política na Paraíba tem ensinado isso.
 
 
 por Genildo Alves

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