17 de maio de 2011

Decisão favorável ao Treze abre precedente perigoso para o futebol

Decisão favorável ao Treze abre precedente perigoso para o futebol
Decisão favorável ao Treze pode abrir precedente perigoso para o futebol do país; imprensa nacional se mostra preocupada com o possível desfecho

32 minutos do segundo tempo e o jogo continua 1 X 0 para o time ‘da casa’. Ciente que o placar o deixa fora da final, a equipe adversária passa a atacar insistentemente e, em uma dessas ofensivas, o juiz apita: pênalti! A torcida se cala; os corações batem mais forte; a classificação agora está próxima; o artilheiro se prepara para partir para a bola e... piiiiii! O que foi? Gol? Não, o árbitro declara o fim da partida por número insuficiente de jogadores com condições de jogo: misteriosamente todos os atletas da casa estão no chão gemendo de “dor”.

A situação parece fantasiosa? Até hoje sim, mas a partir desta semana a “artimanha” pode se tornar legal e corriqueira no futebol nacional, caso o Tribunal de Justiça Desportiva Federal da Paraíba julgue improcedente o processo impetrado pelo Botafogo-PB contra o Treze Futebol Clube de Campina Grande.

Apesar do relato inicial ser fantasioso, a partida que motivou o litígio entre as equipes é bem real.

Já era segundo tempo, e com 3 jogadores expulsos, o Treze ainda vencia a partida com o resultado numérico exato que lhe garantia na final. Ciente que precisava marcar para tomar a classificação do galo, o Botafogo passou a atacar com mais vigor e tudo levava a crer que o gol ‘inevitavelmente’ sairia a qualquer instante.

Em meio à sufocante pressão, um fato curioso passou a tomar conta da partida: inesperadamente dois jogadores trezeanos caíram se contorcendo em campo. Por coincidência, ambos os jogadores alegavam estar sentindo dores insuportáveis, o que os impedia de continuar jogando. Como agora apenas seis jogadores trezeanos permaneciam em campo, o árbitro Jefferson Rafael apitou o fim da partida, dando vitória ao time do Treze.

Preocupação

A suposta manobra trezeana não revoltou só os torcedores botafoguenses, mas a imprensa esportiva nacional. Dois dias após a polêmica partida, o comentarista esportivo do programa “Pontapé Inicial”, da ESPN Brasil, ao relatar detalhes do ocorrido, destacou sarcasticamente o “cai cai” do Treze e ainda se mostrou surpreso com o fato do juiz ter dado vitória à equipe que supostamente “forçou” o fim da partida.

“Eu sempre ouvi dizer que o time que não tem mais condição de continuar é considerado derrotado. Esse é que o problema do futebol da Paraíba”, afirmou o jornalista do canal nacional, que no fim arremata: “Foi tudo armado!”.



Na manhã desta segunda-feira, quem externou opinião sobre o assunto foi o apresentador da ESPN, João Palomino. Avisado que a liminar do Botafogo-PB, pedindo suspensão do campeonato, havia sido oficialmente derrubada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, o jornalista se mostrou perplexo com os rumos que a situação estava tomando, haja vista que pode servir de precedente para que outros clubes passem a repetir a mesma prática quando tiverem na iminência de perder uma vaga ou mesmo o jogo.

"Rosilene, explica direito isso ai, acho estranho o Botafogo não está nessa final", declarou João.

Reincidente

Não são só os rivais paraibanos que se queixam do Treze quando o assunto é se beneficiar do resultado, como acusa o Botafogo. Torcedores do Santa Cruz até hoje não engoliram a saída voluntária de campo por parte do Treze, no instante em que havia sido marcado um pênalti em favor dos pernambucanos, em partida realizada em 2009.

Sem o menor constrangimento, o treinado do galo à época, Reginaldo Sousa, assumiu que a saída era uma ordem da diretoria trezeana e que não cabia a ele discutir as razões.

“Eu apenas estou cumprindo ordens”, defendeu o técnico ao fim da partida.



Em outro jogo, agora pela Copa do Brasil, o time campinense era massacrado pela equipe do Votoraty, que vencia em casa por 4 X 0. Temendo um placar humilhante, mais uma vez “misteriosamente” os atletas do galo passaram a cair em campo, deixando a partida com o número suficiente de jogadores. Por ainda ter o direito do jogo de volta (desta vez em Campina Grande), especialistas esportivos acreditam que o objetivo da manobra foi evitar uma tragédia maior e tentar reverter o quadro em casa. Apesar de tudo, não conseguiu êxito e foi desclassificado.

Jogando pela final do segundo turno, o Treze perdia o jogo com o Sousa por 2 X 0 (placar que o garantia o título da fase). Pressionado pelo time sertanejo, e com receio de levar o gol que encerraria seus sonhos de ser campeão, mais uma vez as “misteriosas” contusões passaram a atormentar o atletas trezeanos, que acabaram saindo de campo. Resumo: o jogo foi encerrado por número insuficiente de jogadores e o Treze foi declarado campeão.


Da redação por Tiago Nunes com PB Agora com Luis Alberto Guedes

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