24 de abril de 2011

Uso exclusivo de repelente para combater dengue preocupa Anvisa

Os profissionais da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) vêm demonstrando preocupação com o aumento na utilização de repelentes como principal meio de afastar o aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue.

Uma das fontes de cautela está no fato de que muitas vezes o repelente é a única medida tomada pela população para se prevenir. A especialista em cosméticos da Anvisa, Érica França, explica que o produto precisa ser um coadjuvante no processo.

“Infelizmente, muitas pessoas usam repelente e não tomam mais nenhuma providência para afastar o mosquito de suas casas. Este é um comportamento perigoso porque, além de o risco não ser totalmente afastado, outras pessoas, que não estão protegidas, também podem ser picadas”.

Ela lembra que a evitar o acúmulo de água parada em vasos, garrafas e pneus continua sendo a principal ação para combater a dengue. “E o uso do repelente deve ser um complemento”. Ela também adverte contra o uso de produtos artesanais. “Eles não têm eficácia comprovada”.

Regulamentação

Outra preocupação recente da Anvisa em relação aos repelentes é a luta para aprovar uma resolução que regulamente a composição do produto. A mudança visa proteger principalmente as crianças.

“Como não há uma regulamentação, isso acabou se tornando um problema de saúde pública. Muitos dos componentes são substâncias químicas que têm uma margem de uso. A principal função dessa resolução é limitar o uso”, explica Érica França.

Ela conta ainda que as crianças são ainda mais suscetíveis a uma intoxicação em caso de uso excessivo. “A pele é mais hidratada e favorece a absorção. Além disso, o organismo em formação também é mais frágil”.

Mudanças

Caso a resolução seja aprovada, as marcas que estão no mercado terão seis meses para alterar as embalagens, que deverão informar o princípio ativo da fórmula e a concentração da substância, além de trazer alertas sobre o uso.

“Atualmente, existe uma recomendação para que as empresas coloquem esta informação em suas embalagens, mas não temos como forçá-los a isso, o que mudaria com uma resolução”, explica a especialista.

A resolução que a Anvisa tenta emplacar cita duas substâncias como as principais utilizadas nos repelentes: o DEET e a citronela. “Estas são as mais utilizadas e conhecidas, pois têm índices de segurança conhecidos”, explica Érica França.

Mesmo assim, o DEET pode ser tóxico dependendo da concentração, segundo Fernanda Azeredo, farmacêutica responsável da Farma Call. "A concentração determina a eficácia do produto e também a toxicidade. A substância pode ser absorvida e causar alergias, vômitos ou mesmo alterações neurológicas como sonolência", diz a profissional.

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